PISCINAS INTERNAS
Uma piscina aquecida, a ser executada no interior de um prédio, pode trazer
grandes danos para a edificação, caso não sejam muito bem
estudadas todas as implicações decorrentes.
Os problemas mais freqüentes, provocados por uma piscina interna, são:
Condensação de vapor d’água, mofo, queda de placas
de forro, encharcamento de materiais isolantes, corrosão de instalações
e fissuras na alvenaria. Em casos extremos, podem provocar o colapso estrutural.
No entanto, há condições de serem executadas piscinas internas,
sem causar os problemas mencionados. A equipe técnica, responsável
pelo projeto e execução de uma piscina interna deverá focar
seus estudos em dois itens críticos:
•
Todas as superfícies internas deverão permanecer com temperaturas
acima do ponto de orvalho* do ambiente. Este item é crítico, principalmente,
nos dias de baixas temperaturas externas.
•
Qualquer fator, que possa elevar o ponto de orvalho* ambiental acima das temperaturas
das superfícies internas, deverá ser evitado através de
um complexo e caro sistema de climatização.
Do exposto, existem dois conjuntos de providências para resolver os problemas
de uma piscina interna: O primeiro conjunto é composto de ações
arquitetônicas e construtivas e o segundo conjunto de providências é composto
de ações de climatização.
As principais ações dos arquitetos e construtores são: Selecionar
adequadamente as janelas, as paredes e a cobertura com proteções
térmicas, confinar o local da piscina, evitar forros falsos, evitar clarabóias,
evitar o uso de carpetes e tapetes e dar condições para que o insuflamento
de ar seja realizado pela parte inferior das janelas.
As principais ações dos engenheiros de climatização
são: Orientar o arquiteto e o construtor nas proteções térmicas
necessárias e projetar um sistema, de alta resistência frente à corrosão,
que mantenha o ponto de orvalho* do ambiente sempre abaixo das temperaturas das
superfícies internas.
As piscinas de clubes, escolas de natação, academias, condomínios,
hotéis, centros de fisioterapia e etc, para operarem sem causar danos à edificação,
devem ser projetadas com plena interação entre o arquiteto, o construtor
e o engenheiro de climatização. Após a execução,
as instalações vão necessitar de um acompanhamento técnico
contínuo.
Face ao exposto, não é aconselhável executar uma piscina,
não confinada, na parte interna de uma residência, pois ela vai
gerar uma série de inconvenientes que vão se estender para todas
as dependências da casa. Outro fator que deve desestimular esta execução é fato
das instalações apresentarem um custo operacional elevado e necessitarem
uma manutenção constante ao longo de todo o ano.
* ponto de orvalho é definido como a temperatura em que o vapor d’água,
contido no ar ambiental, condensa.
Engº Luiz Fernando Michelena