PROJETANDO A
DISTÂNCIA
Porto Alegre (RS), anos 60. Estava
desenvolvendo meu primeiro projeto de ar condicionado
com água gelada e necessitei, com urgência,
de dados técnicos de um resfriador de líquidos
importado. Eu só tinha o número do telefone
do importador em São Paulo (SP). Como havia um
longo tempo de espera para obter o interurbano, fui obrigado
a viajar até lá e, do aeroporto, liguei
e obtive as informações retornando, de
imediato, à capital gaúcha.
Curitiba, Paraná, ano 2003. Assisto
no Brasil, ao vivo pela televisão, diretamente
dos Estados Unidos, um procedimento cirúrgico
sendo realizado, à distância, com o médico
numa cidade americana operando, através de um
robô, um paciente internado num hospital em outra
cidade. É inacreditável que estes dois
episódios tenham ocorrido com defasagem de cerca
de quarenta anos.
Estes dois fatos incongruentes mostram a evolução ocorrida nestes últimos
anos. Na minha área de atuação, - projetos de climatização
-, os procedimentos atuais podem não ser tão surpreendentes,
mas são muito distintos dos empregados na década de sessenta.
Ontem! Os cálculos matemáticos
eram realizados, pasmem, numa régua de cálculos,
onde os resultados eram obtidos de forma lenta e aproximados.
As cargas térmicas e os dimensionamentos dos dutos
eram feitos manualmente. O anteprojeto era desenhado
a lápis, em papel manteiga. O projeto era realizado
a nanquim, em papel vegetal. As alterações
de projeto eram feitas por raspagem do nanquim ou por
um novo desenho. A compatibilização com
os demais projetos da edificação era realizada
visualmente, em exaustivas reuniões com todos
os projetistas. Os memoriais descritivos eram executados
em máquina de escrever, fazendo com que cada erro
provocasse a datilografia de novas páginas.
Hoje! Trabalhando no projeto do sistema
de climatização de uma grande fábrica
norte-americana em instalação no Rio Grande
do Sul, as informações técnicas
vieram dos engenheiros, nos Estados Unidos. O gerenciador
geral do projeto estava em São Paulo (SP). O arquiteto,
o projetista estrutural e o projetista elétrico
estavam sediados em Blumenau (SC), e eu estabelecido
em Curitiba (PR). Inicialmente, todos os projetistas
visitaram a fábrica americana e, a partir daí,
foram sendo desenvolvidos os projetos através
de videoconferências, e-mails, fax e alguns telefonemas
que, atualmente, dispensam as absurdas viagens de avião
como há quarenta anos atrás.
Amanhã! Acho muito temerário
fazer qualquer previsão...!
Luiz Fernando Michelena
É importante provocar
uma conscientização geral sobre os cuidados
que devem ser tomados em relação ao ar
ambiental.
Em face deste quadro, surgiram e foram se desenvolvendo
sistemas de CLIMATIZAÇÃO
que, quando bem projetados, bem executados e bem mantidos, asseguram a QUALIDADE
DO AR INTERNO, proporcionando, ainda, adequadas condições de
conforto e segurança.
Michelena Climatização
Dezembro de 2003