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QUALIDADE DO AR

A morte do ministro Sérgio Mota foi atribuída a uma doença contraída no ar contaminado de seu gabinete em Brasília. Face a esta suposição, o ministro José Serra, em boa hora, resolveu editar uma resolução estabelecendo procedimentos para um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) de sistemas de ar condicionado de grande e médio porte.

A iniciativa do ministro Serra deve ser aplaudida, pois dela sugiram ações da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que regulamentaram os níveis de poluição admissíveis em ambientes climatizados.O que causa estranheza, no entanto, é o fato da legislação só se preocupar com os ambientes climatizados e com instalações acima de cinco Toneladas de Refrigeração. Esta atitude leva a pensar que os ocupantes, de ambientes não climatizados ou de ambientes atendidos com pequenas unidades condicionadoras, podem permanecer em ambientes poluído sem problemas. Seguindo este raciocínio, caso o gabinete do ministro Sérgio não fosse atendido por ar condicionado de grande porte e viesse a apresentar o mesmo nível de poluição encontrado, a atual legislação não teria evitado a sua doença.

Esta incoerência induz ao pensamento, incorreto, de que as grandes e médias instalações de ar condicionado são as responsáveis pela baixa qualidade do ar nos ambientes. Isto é, na verdade, uma grande inversão de propósitos, pois as instalações de ar condicionado central, quando bem projetadas, bem executas e adequadamente mantidas, têm a específica função de manter a boa qualidade do ar interno.
É importante que as determinações da ANVISA sejam observadas com muito rigor e respeito pelos profissionais que projetam, instalam e prestam serviços de manutenção em sistemas de ar condicionado. É importante, também, que estes mesmos profissionais e as autoridades competentes se engajem numa campanha esclarecedora para evitar a contaminação nos ambientes não condicionados e naqueles atendidos por unidades de pequeno porte.

Com este esforço conjunto, talvez possamos evitar muitas ações criminosas que freqüentemente ocorrem, tais como a instalação de condicionadores de ar individuais em salas cirúrgicas ou o uso de ambientes fechados com grande densidade de ocupantes e sem nenhum tipo de ventilação.

Curitiba 30/06/2003
Luiz Fernando Michelena

 

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